Uma tumba com cerca de 1.000 anos, repleta de peças de ouro, foi descoberta no Museu Parque Arqueológico El Caño, no Panamá. Batizada de Tumba 3 pelos arqueólogos, a estrutura é atribuída à realeza Coclé, povo indígena que habitava a região antes da chegada dos exploradores espanhóis ao istmo, em 1501.
O achado foi anunciado na sexta-feira, 20, pelo Ministério da Cultura do Panamá, que classificou a descoberta como “um acontecimento de grande relevância para a arqueologia panamenha e para o estudo das sociedades pré-hispânicas do istmo centro-americano”. A pasta destacou ainda o potencial científico e educativo da nova escavação.
“Estamos focados em levar adiante o Museu de El Caño como um centro de investigação e educação para todos os panamenhos e visitantes interessados em nossas origens e nossa história”, declarou María Eugenia Herrera, Ministra da Cultura do Panamá.
Embora a escavação da Tumba 3 tenha sido concluída apenas em 2026, sua identificação remonta a 2009. Naquele ano, pesquisadores detectaram uma alta concentração de materiais cerâmicos e fragmentos metálicos no sítio arqueológico de El Caño, localizado na província de Coclé. A confirmação de que se tratava de uma tumba de grandes proporções levou à realização de um trabalho arqueológico mais aprofundado.
Novas descobertas
As escavações revelaram uma estrutura complexa, composta por oferendas e um enterro múltiplo. No centro da tumba, foi encontrado um indivíduo estendido, cercado por outros corpos, em uma disposição que sugere hierarquia. De acordo com a Eco TV Panamá, a posição central e os objetos associados ao principal sepultado reforçam seu elevado status sociopolítico dentro da comunidade.
Entre os artefatos recuperados estão ornamentos metálicos e diversas peças de ouro, como peitorais, protetores de orelha e braceletes. Também foram encontradas cerâmicas elaboradas, algumas decoradas com iconografia vinculada à tradição artística local. O conjunto de objetos indica não apenas riqueza material, mas também domínio técnico em áreas como a ourivesaria e a produção cerâmica.
O sítio de El Caño já vinha revelando vestígios importantes do passado pré-hispânico da região. Em 2024, arqueólogos identificaram outra tumba no local, datada de 750 d.C., atribuída a um membro da alta sociedade Coclé. A nova descoberta amplia o panorama sobre as estruturas de poder e os rituais funerários praticados por esse povo, repercute a Revista Galileu.
Segundo o Ministério da Cultura, a Tumba 3 deverá fornecer dados essenciais para reavaliar as relações e a dinâmica histórica regional durante o período de maior desenvolvimento sociopolítico em El Caño. “A Tumba 3 enriquecerá o conteúdo educativo e permitirá atualizar as narrativas sobre o passado pré-hispânico, incorporando novos dados e perspectivas interpretativas”, afirmou o órgão em comunicado.
A pasta também ressaltou o impacto contemporâneo das descobertas. “Para as comunidades atuais da região, estas descobertas contribuem para fortalecer a identidade cultural e o reconhecimento de um passado ancestral, trabalhado detalhadamente com delicadeza e técnica tanto na ourivesaria quanto na cerâmica.”
Com a conclusão da escavação, a Tumba 3 passa a integrar o conjunto de evidências que ajudam a reconstruir a história das sociedades que floresceram no istmo centro-americano antes da colonização europeia, reforçando o papel de El Caño como um dos principais centros arqueológicos do Panamá.



