Os preços dos metais preciosos subiram depois que a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA aumentou as preocupações dos investidores sobre riscos geopolíticos.
No pregão na manhã desta segunda-feira (5) na Ásia, o ouro estava cerca de 1,8% mais alto, cotado a aproximadamente US$ 4.408 por onça, enquanto a prata subiu perto de 3,5%, à medida que o dinheiro foi direcionado para os chamados “ativos de refúgio seguro”.
Enquanto isso, os preços do petróleo bruto tiveram pouca alteração, e os preços das ações na região estavam majoritariamente mais altos.
Desempenho histórico e fatores de valorização
Tanto o ouro quanto a prata atingiram máximas recordes em 2025 antes de perderem terreno nos últimos dias do ano.
Apesar de uma queda no final do ano passado, o ouro ainda registrou seu melhor desempenho anual desde 1979, após subir mais de 60%, atingindo um recorde histórico de US$ 4.549,71 no dia 26 de dezembro.
Esses ganhos foram impulsionados por diversos fatores, incluindo expectativas de mais cortes nas taxas de juros, grandes compras de ouro em lingotes por bancos centrais, e preocupações dos investidores com tensões globais e incerteza econômica.
O fator Venezuela e o mercado de energia
O petróleo flutuou no início do pregão e estava um pouco mais baixo no meio da manhã, enquanto os investidores avaliavam se a intervenção de Washington na Venezuela afetaria o fornecimento de petróleo bruto.
O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu explorar as vastas reservas de petróleo da Venezuela após a captura de Maduro, e afirmou que os EUA “administrarão o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e judiciosa”.
No entanto, analistas da indústria disseram que a medida dificilmente terá um impacto imediato sobre o quanto pessoas e empresas pagam por energia.
Infraestrutura petrolífera e reação das bolsas asiáticas
Especialistas também afirmaram que custaria bilhões de dólares para consertar a infraestrutura petrolífera da Venezuela, que tem estado em acentuado declínio desde o início dos anos 2000.
A produção de petróleo bruto da Venezuela tem sido “insatisfatória” por anos e agora representa apenas cerca de 1% da produção global de petróleo, disse o estrategista de investimentos Vasu Menon, do banco OCBC.
Os mercados de ações na Ásia-Pacífico também registraram ganhos, à medida que os investidores se concentraram em notícias não relacionadas aos desenvolvimentos na Venezuela.
O Nikkei 225 do Japão subiu 2,6% no primeiro dia de negociação do ano, e novos dados mostraram que a atividade manufatureira se estabilizou em dezembro. Os principais índices na Coreia do Sul e na China também estavam mais altos.
Os saltos refletem a confiança de que as consequências dos eventos na Venezuela permanecerão distantes, disse Zavier Wong, da empresa de investimentos eToro.



