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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2026, 09h:31 - A | A

MINERAIS CRÍTICOS

Brasil se destaca como uma das lideranças globais no FMF 2026

Descrito por participantes como o "Davos da mineração", o evento reuniu mais de 100 países

Brasil Mineral

O Future Minerals Forum (FMF) de 2026, realizado em Riad, de 13 a 15 de janeiro, consolidou-se como um dos principais pontos de encontro global para o setor de mineração. Descrito por participantes como o "Davos da mineração", o evento reuniu mais de 100 países e 59 organizações para debater os desafios e as oportunidades monumentais que definem a indústria. Em meio a discussões sobre geopolítica, cadeias de suprimentos resilientes e a necessidade de trilhões de dólares em investimentos, as vozes do Brasil, representadas por líderes da Vale e da Sigma Lithium, por exemplo, ecoaram com visões estratégicas sobre inovação, sustentabilidade e o papel da mineração como um catalisador para o desenvolvimento social e econômico.

O Contexto Global: Uma Corrida por Minerais Críticos

O tom do fórum foi estabelecido desde o início: a demanda por minerais está acelerando em um ritmo sem precedentes, impulsionada pela transição energética e pela revolução da inteligência artificial. Como resumiu Sua Excelência Bandar bin Ibrahim Al-Khorayef, Ministro da Indústria e Recursos Minerais da Arábia Saudita, "enquanto a IA e a transição energética podem dominar as manchetes, sem minerais, nenhuma delas é possível".

Essa urgência foi amplificada pela nova postura geopolítica dos Estados Unidos. David Copley, Assistente Especial do Presidente no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, descreveu uma mudança radical na política americana. "Sob a liderança do Presidente Trump, os Estados Unidos deram uma guinada de 180 graus nos últimos 12 meses e novamente tornaram a mineração uma área prioritária para nosso desenvolvimento nacional", afirmou Copley. Ele detalhou uma estratégia de quatro pilares: investir pesadamente em projetos de mineração, estocar minerais em níveis não vistos desde a Guerra Fria, proteger as mineradoras de "concorrência subsidiada pelo Estado" e reformar o ecossistema de licenciamento para reduzir drasticamente os prazos de aprovação de novas minas.

Nesse cenário de competição intensa e realinhamento global, as empresas brasileiras não apenas participaram do diálogo, mas apresentaram modelos de negócios e filosofias que podem moldar o futuro do setor.

A Visão da Vale: Mineração Circular e Soluções Customizadas

Gustavo Pimenta, CEO da Vale, ofereceu uma perspectiva clara sobre os desafios práticos enfrentados pela indústria. Ele argumentou que, ao contrário de muitos setores preocupados com a demanda, a mineração enfrenta um "bom problema" de demanda garantida, mas um desafio imenso no lado da oferta. "A questão está de fato na oferta. Como minerador, acho que é provavelmente onde enfrentamos o problema mais difícil. Está demorando mais, é mais caro, há uma degradação geral dos sistemas, os bons corpos de minério estão se esgotando e temos que ir para depósitos de menor qualidade", explicou Pimenta.

Para superar esses obstáculos, Pimenta defendeu uma "mineração do futuro" baseada em três pilares: digitalização, redução da pegada ambiental e circularidade. Ele destacou os esforços da Vale para alcançar a "mineração com resíduo zero", transformando rejeitos em subprodutos. Um exemplo concreto já está em prática: "10% da minha produção hoje vem da mineração circular. Estou apenas reprocessando, por exemplo, barragens onde no passado eu simplesmente colocava como rejeito. Estou voltando para essas barragens e vendo que aqueles rejeitos na verdade têm material de boa qualidade que na época não éramos capazes de processar".

Além da inovação operacional, Pimenta enfatizou uma mudança fundamental na relação com os clientes, descrevendo uma evolução para uma mineração "descomoditizada", focada em soluções customizadas. Ele citou a parceria da Vale com a Arábia Saudita como um modelo exemplar para o futuro: "Temos analisado com o Reino a capacidade de entregar uma indústria de aço de baixo carbono... Uma parceria entre um player upstream como a Vale, que tem o minério de ferro de mais alta qualidade do globo, com, por exemplo, um player downstream, clientes que estão dispostos a desenvolver novos clusters em lugares como a Arábia Saudita... isso se torna um hub para HBI, para aço de baixo carbono, para abastecer outros mercados."
Pimenta concluiu com uma advertência pragmática sobre a descarbonização: "Não vamos descarbonizar nenhuma indústria a qualquer custo. Os clientes não vão pagar por isso. Essa é uma realidade que todos estamos enfrentando agora. Mas é possível, de fato, descarbonizar usando soluções competitivas."

Sigma Lithium: Prosperidade Verde e Licença Social

Anna Cabral, Co-Presidente e CEO da Sigma Lithium, apresentou um modelo de negócio disruptivo, profundamente enraizado no desenvolvimento social e na sustentabilidade. Ela relembrou a fundação da empresa em 2012, quando o lítio era um material "esotérico" e o objetivo principal era "transformar a mineração como era feita em nosso país".

Cabral argumentou que a mineração deve ser um "vetor de prosperidade" e que a licença para operar é indissociável do apoio da comunidade. "Nossa licença social se torna nossa licença operacional", declarou. A Sigma Lithium implementou essa filosofia desde o início, alocando um "capex social" antes mesmo de gerar receita.

O projeto da empresa no Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais pobres do Brasil, exemplifica essa abordagem. Em vez de apenas extrair, a Sigma construiu uma planta de processamento de última geração no local da mina e implementou programas de desenvolvimento "fora da cerca", como microcrédito e apoio à agricultura. O resultado, segundo Cabral, foi um apoio comunitário avassalador que se tornou um diferencial competitivo. "A comunidade nos apoia esmagadoramente e, com isso, avançamos os projetos a uma velocidade que se tornou uma enorme fonte de elogios. 'Você se move tão rápido quanto os chineses.' Por quê? As comunidades estão conosco. Elas querem os empregos, querem a prosperidade", relatou.

Para Cabral, a empresa não é apenas uma "construtora de nação" (nation builder), mas uma "construtora de prosperidade" (prosperity builder), mostrando um caminho de como abraçar a comunidade e criar um "escudo" de apoio que acelera o progresso. Ela também destacou o desafio de atrair talentos, afirmando que foi preciso "tornar a mineração interessante ou 'legal' novamente" para atrair jovens engenheiros que, de outra forma, iriam para o setor de tecnologia.

Conclusões Gerais e o Caminho a Seguir

As discussões no Future Minerals Forum deixaram claro que o mundo entrou em uma nova era da mineração, definida por uma demanda exponencial, uma competição geopolítica acirrada e uma necessidade urgente de inovação e responsabilidade. Dentre os vários pontos discutidos, destacam-se:

Crescimento da demanda: A indústria precisará multiplicar a oferta atual por cinco a seis vezes para atender às necessidades da transição energética e da IA (Gustavo Pimenta, Vale);

Geopolítica - Os EUA estão fazendo uma "guinada de 180 graus", investindo centenas de bilhões de dólares, estocando minerais e acelerando o licenciamento. (David Copley, Casa Branca)

Desafio do Investimento - São necessários trilhões de dólares em capital. O Banco Mundial está reformulando sua estratégia, e novos fundos, como o Orion Critical Mineral Consortium, estão sendo criados para mobilizar capital soberano e privado.

Tecnologia e Inovação - A indústria precisa adotar novas tecnologias de processamento, como a flotação de partículas grossas e a lixiviação em pilha para sulfetos de baixo teor (Katherine Raw, BHP), e compartilhar dados para acelerar a descoberta.

Licença Social e ESG - A percepção da sociedade sobre a mineração continua sendo um dos maiores desafios. A confiança da comunidade é essencial para a viabilidade dos projetos. (Anna Cabral, Sigma Lithium)

Talento Humano - Há um grande desafio para atrair e reter talentos. Em contraponto, no Chile, a Codelco é a empresa preferida para se trabalhar, superando Google e Apple. (Maximo Pacheco, Codelco)

Para o Brasil, o FMF 2026 demonstrou que o país está posicionado de forma única para liderar nesse novo cenário. As estratégias apresentadas pela Vale e pela Sigma Lithium — focadas em customização, circularidade, descarbonização econômica e, crucialmente, na integração com as comunidades locais — oferecem um roteiro para uma mineração mais resiliente, responsável e próspera. Em um mundo que busca desesperadamente por minerais, o modelo brasileiro, que equilibra eficiência com desenvolvimento social, não é apenas uma opção, mas uma necessidade estratégica.

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